Alzheimer se previne ao longo da vida: o que a ciência de 2024 a 2026 mostra sobre epigenética, estilo de vida e rastreio precoce

Alzheimer se previne ao longo da vida: o que a ciência de 2024 a 2026 mostra sobre epigenética, estilo de vida e rastreio precoce

Giulia Campanha de Freitas Lino
Diretora Internacional, Biocon Diagnósticos
Pós Graduanda em Neurociências e Comportamento
Especialista em Nutrição Esportiva, Atendimento, Cálculos e Prescrições de Dietas

Resumo

A Doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa progressiva cujo risco vai além da herança genética. Ele resulta da interação contínua entre genes, ambiente e hábitos ao longo da vida. Em 2024, a Comissão Lancet sobre demência estimou que cerca de 45% dos casos poderiam ser prevenidos ou adiados atuando sobre 14 fatores de risco modificáveis. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incorporou essa evidência em suas novas diretrizes de redução de risco. Este texto examina como a epigenética ajuda a explicar essa relação e por que identificar o risco precocemente se tornou parte central do cuidado.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Epigenética; Prevenção; Estilo de vida; Rastreio precoce.

1. Um desafio de saúde pública que cresce todos os ano

Segundo a OMS, 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, mais de 60% delas em países de baixa e média renda. Surgem cerca de 10 milhões de novos casos a cada ano. A Doença de Alzheimer é a forma mais comum e pode responder por 60% a 70% dos casos (WHO, 2026a).

A idade é o principal fator de risco, mas demência não é uma consequência natural do envelhecimento. O envelhecimento cerebral resulta de uma rede de influências genéticas, celulares, ambientais e epigenéticas (KHEMKA et al., 2023). É justamente essa rede que abre espaço para a prevenção.

2. Epigenética e inflamação: como o estilo de vida chega ao cérebro

A epigenética estuda mudanças na forma como os genes se expressam sem alterar a sequência do DNA. Um dos seus marcadores mais estudados é a metilação do DNA, usada para calcular a chamada idade epigenética. Esse “relógio biológico” pode andar mais rápido ou mais devagar que a idade cronológica, e sofre influência da genética, da alimentação, do nível de atividade física e da presença de doenças (KHEMKA et al., 2023).

Estudos associam a aceleração da idade epigenética à inflamação crônica. A neuroinflamação, por sua vez, tem papel relevante no desenvolvimento da DA: pacientes com a doença frequentemente apresentam níveis elevados de marcadores inflamatórios, que contribuem para a degeneração neuronal (KHEMKA et al., 2023). Em outras palavras, hábitos de vida deixam marcas biológicas mensuráveis, e essas marcas conversam diretamente com os mecanismos da doença.

3. Os 14 fatores de risco modificáveis (Comissão Lancet, 2024)

O relatório de 2024 da Comissão Lancet identificou 14 fatores de risco modificáveis que, juntos, respondem por cerca de 45% dos casos de demência no mundo (LIVINGSTON et al., 2024):

  • Baixa escolaridade
  • Perda auditiva
  • Colesterol LDL elevado
  • Depressão
  • Traumatismo cranioencefálico
  • Inatividade física
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • Hipertensão
  • Obesidade
  • Consumo excessivo de álcool
  • Isolamento social
  • Poluição do ar
  • Perda de visão não tratada

O colesterol LDL e a perda de visão foram as novidades em relação à edição anterior. A mensagem central do relatório é que nunca é cedo nem tarde demais para agir: os fatores atuam em diferentes fases da vida, da infância à velhice.

4. O que a OMS recomenda em 2026

Em julho de 2026, a OMS publicou a segunda edição de suas diretrizes para redução do risco de declínio cognitivo e demência, a primeira atualização desde 2019. O documento organiza as recomendações em quatro frentes (WHO, 2026b):

  • Comportamentos saudáveis: atividade física, alimentação saudável, estímulo cognitivo, participação social, cessação do tabagismo e redução do consumo nocivo de álcool.
  • Controle de condições de saúde: manejo de hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, depressão, perda auditiva (inclusive com uso de aparelhos auditivos), perda de visão e qualidade do sono.
  • Fatores ambientais: pela primeira vez, a OMS inclui a redução da exposição à poluição do ar como estratégia de prevenção.
  • Intervenções multidomínio: programas que combinam várias dessas frentes, adaptados a cada pessoa.

Um ponto importante: a diretriz não recomenda suplementação de vitaminas B e E, ômega-3 ou multivitamínicos com o objetivo de prevenir demência em pessoas sem deficiência diagnosticada. Não há evidência de benefício que compense possíveis efeitos adversos. A prevenção passa pelo padrão alimentar como um todo, não por cápsulas.

5. Alimentação e exercício: onde nutrição e neurociência se encontram

Hábitos pouco saudáveis, como alimentação inadequada e sedentarismo, estão entre os fatores mais associados ao Alzheimer de início tardio (KHEMKA et al., 2023). Padrões alimentares ricos em vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas e gorduras de boa qualidade, como o da dieta mediterrânea, estão associados à redução de marcadores inflamatórios e a menor risco de doenças crônicas. Esses padrões também atuam indiretamente sobre fatores da lista da Lancet, como hipertensão, diabetes, obesidade e colesterol LDL.

O exercício físico, por sua vez, tem efeitos anti-inflamatórios sistêmicos e participa da modulação epigenética. Em estudos experimentais, a atividade aeróbica preveniu disfunção cognitiva, dano oxidativo e liberação de citocinas pró-inflamatórias, com efeito neuroprotetor de longo prazo (KHEMKA et al., 2023). A OMS reforça essa recomendação para adultos com cognição normal (WHO, 2026b).

6. Por que identificar o risco cedo muda o cuidado

As alterações biológicas do Alzheimer, como o acúmulo de beta-amiloide, começam anos antes dos primeiros sintomas. Identificar sinais precoces amplia a janela para agir: investigar causas, controlar fatores de risco, ajustar hábitos, planejar o cuidado com a família e acompanhar a evolução com o médico.

É nesse contexto que se insere o Demência Rapid Test, da Biocon Diagnósticos. Trata-se de um imunoensaio cromatográfico rápido e qualitativo, de uso profissional, que detecta em amostra de urina fragmentos da proteína precursora amiloide (APP) e da beta-amiloide. O resultado sai em cerca de 10 minutos. O teste é indicado para auxiliar a investigação de pessoas a partir de 45 anos com suspeita de demência, incluindo a Doença de Alzheimer, ou como checkup para acompanhamento de saúde neural.

É importante deixar claro: o teste é uma ferramenta de triagem e não substitui a avaliação clínica. Um resultado reagente indica a necessidade de investigação complementar com o médico. Ele não é um diagnóstico.

7. Conclusão

A ciência dos últimos anos consolidou uma mensagem de esperança: boa parte do risco de demência está ligada a fatores sobre os quais é possível agir. Alimentação, movimento, sono, vida social, saúde cardiovascular, audição e visão formam uma estratégia de proteção cerebral que vale para toda a vida. Somar essa prevenção a ferramentas de triagem acessíveis permite que pacientes, famílias e profissionais de saúde ganhem tempo, e tempo é o recurso mais valioso diante do Alzheimer.

Tem 45 anos ou mais, ou convive com alguém que apresenta esquecimentos frequentes? Converse com seu médico sobre a avaliação da saúde cerebral e pergunte sobre o Demência Rapid Test.

É médico, laboratório, clínica ou distribuidor? Fale com nossa equipe: demenciatest@biocondiagnosticos.com.br | (31) 3547-3550

Referências

KHEMKA, S. et al. Role of diet and exercise in aging, Alzheimer’s disease, and other chronic diseases. Ageing Research Reviews, v. 91, p. 102091, 2023.

LIVINGSTON, G. et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, v. 404, n. 10452, p. 572-628, 2024. DOI: 10.1016/S0140-6736(24)01296-0.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Dementia: fact sheet. Genebra: WHO, 3 jul. 2026a. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dementia.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Risk reduction of cognitive decline and dementia: WHO guidelines. 2. ed. Genebra: WHO, 2026b. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240123557.

Referências

KHEMKA, S. et al. Role of Diet and Exercise in Aging, Alzheimer’s Disease, and other Chronic Diseases. Ageing Research Reviews, v. 91, p. 102091, 2023.

Add a Comment

Your email address will not be published.

EnglishBrazil